Qual o erro de português em: “bastam de tantos celulares”?

Qual o erro de português em: “bastam de tantos celulares”?

Em um conhecido restaurante, deparei-me com a seguinte placa:

“Bastam de tantos celulares! Vamos comer, conversar e embebedar nossa poesia!”

 O verbo bastar, na condição de qualquer outro verbo pessoal, exige sim a concordância com o sujeito:

“Como se não bastassem tantos telefones celulares, eles nem mesmo degustam a boa comida.”

 No dia a dia, são frequentes os desvios de concordância quando “bastar” está anteposto ao sujeito. Vejamos abaixo:

“Basta dois dias de folga para que eu descanse.”

“Bastava novos investimentos na empresa.”

As expressões plurais “dois dias de folga” e “novos investimentos” são sujeitos plurais. Logo, a exigência do verbo no plural:  BASTAM e BASTAVAM.

Apesar disso, a expressão “bastar de” (com a ideia de ser suficiente) é impessoal. Tem o valor de “chegar de”, e o verbo no singular é o adequado à norma gramatical.

 A fim de maior compreensão, não há um sujeito a ser referido, sendo o famoso caso de sujeito inexistente:

“Chega de histórias! Basta de tantas promessas!”

  Ademais, vale notar que “de histórias” e “de promessas” completam o verbo; não funcionam como sujeito. Fato também é que sujeito corresponde a uma função sintática desprovida de preposição (a não ser em casos raríssimos).

 Há uma última regra com  “bastar”: quando houver a concordância com o sujeito oracional, o verbo deve ficar no singular. Vejamos os exemplos abaixo:

“Basta (eles) saberem os princípios constitucionais.”

“Basta que eles saibam os princípios constitucionais.”

Retornando à frase do restaurante: “Basta de tantos celulares! Vamos comer, conversar e embebedar nossa poesia!”

(Fonte: Exame)

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